Neles destacam-se principalmente as ausências de casa como fuga à nova realidade.
Embora a depressão pós-parto nos recentes papás possa gerar alguma polémica, a verdade é que um estudo publicado recentemente no Journal of American Medical Association veio comprovar que cerca de dez por cento dos novos pais sofre desta doença. Este estudo diz-nos ainda que esta percentagem aumenta após o primeiro trimestre. Sabe-se também que a depressão acontece prioritariamente aquando do nascimento do primeiro filho, não acontecendo regra geral nos nascimentos seguintes. As causas deste tipo de depressão são diferentes das identificadas na mãe e esta geralmente surge mais tarde do que a depressão na mulher, uma vez que a depressão pós parto funciona muitas das vezes como resposta a uma alteração brusca da dinâmica familiar em que o homem se pode sentir excluído. Um bebé, especialmente nos primeiros meses, ocupa a mãe quase a tempo inteiro, assim como altera toda a rotina diária da vida do casal. Os cuidados, as preocupações, as horas das tomas, a muda da fralda e o estabelecimento dos primeiros laços de afectividade com o bebé fazem com que a recente mamã, não tenha tempo sequer para outras tarefas e vá até negligenciando o seu habitual relacionamento com o seu companheiro, esquecendo-se de alimentar a relação a dois. As conversas ao adormecer deram lugar a "vê se te calas! O bebé pode acordar", "por favor está calado, que eu quero dormir um pouco"... A mãe está invariavelmente cansada e o pai sente-se preterido e afastado, quer da mulher, quer do bebé, sentindo-se na maior parte das vezes, excluído e desnecessário nesta nova etapa familiar.
Quando a depressão se instala há que de imediato falar com um profissional competente
A vida mudou
Se o bebé foi muito desejado, a euforia dos primeiros dias não deixa que o pai se aperceba da sua nova situação nem de todas as mudanças que ocorreram na sua vida. Todavia, passados os primeiros dias, o pai começa a sentir o peso da responsabilidade. Na nova dinâmica familiar, hoje exige-se que o pai participe nas tarefas com o bebé, para além de ter de ir trabalhar e deixar os seus entes queridos em casa - a mãe e o bebé - por quem se sente responsável. Contudo, sente que a mamã e o bebé formam agora um elo indivisível, sendo ele, apenas, o papá. Também ele quer conhecer o seu filho e estabelecer um vínculo semelhante ao da mamã. Todavia, o trabalho, as novas responsabilidades e até, muitas vezes, o afastamento com que a própria mãe o condena porque não está habilitado para executar algumas tarefas, como por exemplo amamentar, leva a que se sinta um estranho nesta nova constelação familiar incapaz de penetrar nos laços consistentes existentes na relação mãe-filho.
Se a mulher anteriormente o "crivava" com perguntas acerca do seu dia, agora parece não se interessar com o que se passa com ele. Sente-se abandonado e sozinho!
O convívio com os amigos está suspenso porque o bebé ainda é muito pequenino e os passeios, os jantares fora de casa são hoje irrealizáveis. Para além de tudo isto, a sua vida sexual está suspensa e a mamã nem sequer deseja falar sobre o tema. As horas disponíveis da mamã são para o bebé e as conversas de casal são apenas e tão só – o bebé. O bebé chora incansavelmente com cólicas, com fome, com pequenas dores... As noites são passadas em sobressalto e o pai sente-se cansado. A casa não é o "brinquinho" de outrora e por todo o lado se encontram coisas do novo habitante. A alcofa, a espreguiçadeira, o carrinho de passeio que atravanca o hall de entrada. As horas das refeições são ditadas pelo bebé e não é raro a mãe deixá-lo sozinho sentado à mesa durante largos minutos para ir satisfazer as necessidades do seu bebé. Ele, sente-se abandonado e perdido! A sua companheira, outrora tão carinhosa, esqueceu-o por completo. Aqui poderá surgir tendência a culpabilizar o novo elemento da família por toda esta situação, o que dificultará ainda mais a criação de um vínculo saudável entre pai e filho.



Eu e meu esposo tivemos uma forte depressão ,o certo é procurar ajuda médica .
ResponderExcluirTânia -TUCURUVI
Eu sofri muito com a depressão pós parto.
ResponderExcluirMaria Augusta - Itaim Pulista