E se o seu filho já viesse “pronto”?

Adotar crianças de 3 anos de idade ou mais é uma ideia que ainda desperta medos e vem repleta de preconceitos. Aqui, duas famílias contam como é que essa adoção tardia pode, sim, dar certo
Foi por meio da brincadeira com os irmãos José Vitor e João Pedro que Liriel começou a sentir a chance de uma nova família com os pais Marcelo e Fernanda






A chegada de uma criança está sempre cercada de muitas expectativas. Que personalidade ela terá? Qual palavra aprenderá primeiro? Quando dará os primeiros passos? Junto com a alegria de ter um bebê em casa, vem a responsabilidade de cuidar e de decidir por alguém ainda indefeso e dependente. E se o seu filho já chegasse sabendo andar, falar e comer por conta própria? Dizendo do que gosta e do que não gosta?






O casal Fernanda e Marcelo havia vivido essas experiências com os filhos, João Pedro, 13 anos, e José Vitor, 11. Com a mais nova, Fernanda não experimentou a gestação, não deu mamadeira nem trocou fraldas. Liriel foi adotada quando tinha 5 anos e as primeiras palavras e passos ela deu num abrigo no interior de São Paulo. Mas os pais não se incomodam. Eles apostam no futuro que passarão com a menina.






A adoção tardia, que é a maneira como se chama quando acontece com crianças mais velhas, foi uma escolha refletida de Fernanda e Marcelo. Eles já imaginavam a interação com os outros filhos, por exemplo. Quem vê Liriel correndo pela casa, brincando de pingue-pongue na garagem com os irmãos, levando bronca por andar descalça ou roubando a atenção do pai durante a entrevista, não imagina que ela entrou para aquela família há pouco tempo. “Ela se encaixou muito bem. O perfil não podia ser mais parecido com o nosso! Desde físico até comportamental”, conta a mãe. Entre as coincidências, todos têm o mesmo tipo sanguíneo: todos na casa são O positivo. Quando Liriel passou a entender isso como um laço forte entre eles, vivia perguntando: “Qual o nome do meu sangue mesmo?”, como se fosse um símbolo da conexão entre eles.






O casal Margaret e José Paulo não puderam fazer essa comparação. Quando decidiram adotar, não tinham filhos. Mas desde sempre acreditaram na chance de iniciar uma relação com a conversa, com o convívio, e foi com 6 anos que Gabriela chegou à casa deles. Foram pais de primeira viagem de uma menina cheia de histórias, assim como eles. Hoje, ela tem 12 anos e, para Margaret, o fato de nunca ter experimentado a maternidade biológica não é um drama. “Quando ela chegou, trouxe um grande aprendizado para a família. Foi e é muito especial.” Além disso, ambos os casais contam que não estavam preparados para cuidar de um bebê naquele momento e, por isso, a adoção de uma criança mais velha foi sempre a primeira opção.

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