Dietas ricas em gordura durante a gravidez podem trazer problemas na formação dos tecidos e no peso do bebê.

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Baylor College of Medicine, no Texas, sugere que não só somos o que comemos, mas também o que nossas mães comeram durante a gestação. Algumas pessoas podem achar a sugestão óbvia, mas isso não é tão certo quando a base da análise é genética e os problemas de peso se manifestam somente no filho.




Os cientistas estrangeiros estudaram um grupo de primatas gestantes que mantinham dieta com 35% de gordura e o compararam com outro no qual essa porcentagem era de 13%. Apesar de dedicarem mais de 1/3 da dieta à gordura, algumas das primatas do primeiro grupo não apresentaram obesidade. Esses problemas foram passados diretamente para seus bebês, que, após o nascimento, sofreram as conseqüências do excesso de gordura. Em análise do DNA destes descendentes, os estudiosos detectaram modificações não no código genético, mas na regulagem de alguns genes.






“Existe a idéia de que a codificação de gene do bebê favorece o acúmulo de tecido adiposo. Isso ainda está em estudo. Mas, também há a questão educacional, em que a mãe deve abandonar os hábitos de alimentação errados para dar ao feto todos os nutrientes que ele precisa para se desenvolver”, explica Alex Leite, endocrinologista do Hospital São Luiz, em São Paulo. Restrições protéicas ao longo da gestação podem impedir que o feto tenha seus tecidos formados perfeitamente e contribuir na não ativação de genes importantes.






Nada de gordura na gravidez?






A alimentação da mãe deve, sim, ter seu teor de gordura, pois este componente também é necessário para a nutrição do feto. Mas, é preciso que a gestante saiba escolher as melhores fontes – óleos vegetais, azeite de boa qualidade, nozes, castanhas do pará, peixes cozidos ou assados e gorduras poli-saturadas em geral – e respeite as quantidades de cada elemento de seu cardápio diário.


“Dentro de uma dieta balanceada, a porcentagem de gordura seria de 20% a 25% do valor calórico total ingerido. Mas, para isso é preciso ver se a gestante está dentro do peso para a idade gestacional”, diz Fátima Martins Albano Ceroni, nutricionista do Hospital Santa Catarina, também em São Paulo. Segundo Alex Leite, as gorduras que devem ser evitadas são aquelas que passaram por processo de industrialização, presentes em recheios de bolachas, fast-foods, sorvetes com gorduras saturadas.


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