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Mãe depois dos 30 anos...

O universo feminino vem mudando constantemente e, com a independência conquistada, a mulher tem estabelecido prioridades diferentes do casamento e da maternidade. Ser mãe não deixou de figurar na lista de desejos femininos, mas um outro fator que ajuda nesse processo de postergação é o aumento da expectativa de vida da mulher brasileira que, hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chega a 73 anos, em média. Essa mudança comportamental, no entanto, pede alguns cuidados quando a vontade e a disponibilidade para ser mãe vêm após os 35 anos.


“O primeiro obstáculo é que, a partir dessa idade, a capacidade reprodutiva da mulher declina em virtude da alta incidência de alterações ovulatórias. Estima-se que 1/3 das mulheres acima de 30 anos e metade daquelas com mais de 40 terão dificuldades para engravidar”, explica o ginecologista e obstetra Newton Busso, diretor do Projeto Beta de Reprodução Assistida com Responsabilidade Social e professor de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Isso acontece porque nascemos com um número limitado de óvulos e como não há formação de novos durante a vida, esse estoque cai progressivamente com o tempo.


Um estudo das Universidades de St. Andrews e de Edimburgo, na Escócia, divulgado no começo do ano, confirma que por volta dos 30 anos a maioria das mulheres já perdeu quase 90% de seus óvulos. Quando a corrida é contra o tempo, fatores psicológicos podem retardar a conquista tão desejada. “Não conseguir gerar um filho com a pessoa amada e não dar continuidade à família geralmente é muito frustrante e desmotivador para a mulher. Essa pressão pode tornar
ainda mais árdua a espera pela gestação”, explica a psicóloga Luciana Leis, que atende casais com problemas de fertilidade na Clínica Gera em São Paulo.


Felizmente, com a ajuda da medicina reprodutiva, hoje as mulheres podem deixar para engravidar quando decidirem. Tratamentos como a indução da ovulação, fertilização in vitro ou até a doação de óvulos podem auxiliar na realização do sonho da maternidade. Os médicos só devem ser procurados após 12 meses de vida sexual ativa sem anticoncepção, mas segundo Luciana é importante lembrar que os resultados dos tratamentos podem variar de caso para caso. “Os casais precisam compreender que o que os tratamentos oferecem são tentativas e não garantias de gravidez”, ela conclui.


Segundo a ginecologista e diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D 'Or, Maria Cecília Erthal, a candidata à mãe de primeira viagem e com mais de 35 anos deve tomar alguns cuidados especiais: fazer o pré-natal com todos os exames


solicitados, atividades físicas, manter hábitos alimentares saudáveis e suplementação vitamínica. A médica também faz um alerta sobre os riscos de anomalias cromossômicas, como a síndrome de Down. "Após os 40 anos, aumentam os riscos de alterações genéticas. Segundo o Journal of the American Medical Association, os riscos de ter um filho com síndrome de Down correlacionado com a idade são de 0,5% a partir de 35 anos, 1,2% a partir de 37 anos, 6% a partir de 43 anos e 11% a partir de 45 anos", completa.


Outro fator de risco é a probabilidade de aborto. "Os óvulos que têm mais de 35 anos ficaram no ovário por muito tempo sem ser utilizados e podem ter dificuldades na hora da divisão celular. Esse processo aumenta os riscos de abortamentos e doenças de origem genética", explica o Doutor Newton Busso. Para evitar transtornos, o ideal é que a mulher procure um médico para fazer um check-up antes de tomar a decisão de engravidar. Mas vale lembrar que uma mulher com 35 anos ou mais e que não sofra dos males causados por fatores como obesidade, fumo, colesterol elevado, doenças ginecológicas ou diabetes também pode engravidar sem riscos. Com a ajuda do pré-natal, ela terá grandes chances de levar uma gestação tranquila e saudável.


Cuide de sua fertilidade


Alguns hábitos são devastadores para a fertilidade de homens e mulheres.


“As pessoas, na verdade, não pensam em preservar a própria fertilidade, principalmente porque não sabem que é possível garanti-la por meio de simples mudanças de hábitos”, explica o ginecologista Newton Busso. Veja abaixo algumas dicas do especialista em Reprodução Assistida.


Em paz com a balança


O excesso de peso implica na produção elevada de alguns hormônios que podem interromper a ovulação. Com quilos extras, é comum que a mulher tenha ciclos irregulares e ovule menos. Por outro lado, um índice de massa corpórea baixo demais significa uma produção menor de alguns hormônios e uma possibilidade de interrupção na ovulação. Uma dieta balanceada e a prática de exercícios físicos podem ajudar na hora de engravidar, mas vale ressaltar que a prática demasiada de ginástica também pode levar à não-ovulação.


Mantenha distância


O cigarro é um dos inimigos declarados da fertilidade. As substâncias tóxicas, como a nicotina, danifi cam os óvulos e dificultam o processo de fertilização do gameta, assim com a implantação do embrião. O mesmo acontece com o consumo excessivo de álcool. Estudos apontam que o álcool diminui as chances de a mulher engravidar, sem contar que pode ser responsável por malformações no feto.


Água nunca é demais


Um organismo bemhidratado faz com que as reações químicas aconteçam de forma natural, como a própria fecundação, por exemplo. O ideal é ingerir cerca de três litros de água por dia.


Zen e de bem com a vida


O estresse pode provocar um desequilíbrio hormonal que desregula o ciclo ovulatório. Aprenda a lidar melhor com o estresse, incluindo mais atividades prazerosas em sua vida e pratique alguma atividade física (ioga e meditação são fortes aliados na luta contra a irritação constante). Ah, e passe mais tempo com os amigos: não há nada melhor.


Primeiros passos rumo à maternidade


Como após os 35 anos o número de óvulos capazes de serem fertilizados diminui, é necessária uma consulta médica a partir do momento que a mulher decida ter filhos, onde serão avaliados os seguintes fatores:


- Condições clínicas e psicológicas do casal


- Integridade anatômica dos órgãos reprodutores


- Dosagens hormonais


- Fator imunológico e fator masculino


- Reserva ovariana (capacidade dos ovários de responder a um estímulo hormonal, produzindo óvulos capazes de serem fertilizados).


Quais são os tratamentos?


Após 12 meses de tentativas sem o uso de contraceptivos, os médicos costumam orientar os casais a alguns tratamentos progressivos. Os procedimentos de baixo custo e pouco invasivos são os primeiros. Conheça os mais comuns:


Indução de ovulação:


Também chamado de coito programado, esse procedimento estimula os ovários com hormônios para obter um maior número de óvulos recrutados. Durante o período ovulatório, o casal é orientado a ter relações sexuais com maior frequência.


Inseminação artificial:


Considerada relativamente simples, geralmente é realizada no consultório sem anestesia, pois é indolor. Consiste em concentrar e introduzir os espermatozoides capacitados diretamente no interior do útero.


Fertilização in vitro:


Procedimento onde um óvulo é removido e fertilizado por espermatozoides fora do corpo da mulher. O óvulo fertilizado é então deixado numa incubadora durante um dia e depois inserido novamente no útero da mulher que o produziu. Conhecido também como “bebê de proveta”.


O preço que se paga


Quando o casal se depara com a dificuldade de engravidar, esbarra também com os preços altos ligados às consultas e procedimentos. As consultas com especialistas podem variar de R$ 400 a mil reais, os exames investigativos geralmente não têm cobertura dos planos de saúde e custam em média R$ 2 mil. Se a fertilização in vitro for o tratamento indicado, prepare-se para desembolsar pelo menos R$ 5 mil por tentativa.






Um comentário:

  1. Olá, blogueiro (a),

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    Atenciosamente,

    Ministério da Saúde
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