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Convencer o bebé a comer... a hora dos sólidos

Histórias da carochinha. Cantigas. Macacadas e palhaçadas. Na hora de dar a papa vale tudo para tentar convencer o bebé a comer. Mas será que vale mesmo tudo? «A hora da refeição deve ser um momento de calma e tranquilidade familiar. Já basta o stresse do dia-a-dia», refere o pediatra Mário Cordeiro em ‘O Grande Livro do Bebé’. «Devem evitar-se os rituais, como as grandes cantorias, teatros, histórias intermináveis. Palhaços é
no circo.» O pediatra Paulo Oom partilha da mesma opinião: «A introdução de novos alimentos deve ser encarada como um processo natural. E deve ser divertido. Os problemas são a excepção e não a regra, pelo que a ansiedade apenas atrapalha e deve ser deixada de lado», defende.














Existem algumas regras simples a seguir na introdução dos alimentos sólidos, mas não devem ser encaradas com muita rigidez. «As razões que levam os pediatras a escalonar a ordem de introdução dos novos alimentos têm a ver, principalmente, com o seu valor nutricional, a facilidade com que a criança os pode digerir, o seu sabor mais agradável e a fraca possibilidade de desencadearem alergias», refere Paulo Oom. No entanto, outros factores como a disponibilidade de encontrar determinado alimento e o seu preço também são tidos em conta.










PAPA OU PURÉ?






Após cerca de quatro meses de alimentação apenas com leite, está na altura do bebé começar a experimentar outros alimentos, isto nos casos em que a amamentação exclusiva não se prolonga até aos seis meses, como sugere a Organização Mundial de Saúde.






A diversificação alimentar tem vários objectivos: nutricionais – para dar ao bebé a energia e os nutrientes que necessita para crescer – e de desenvolvimento, para a aquisição de competências motoras, de coordenação e atenção. A capacidade de engolir, não se engasgar ou mastigar é evolutiva e os alimentos estimulam estas funções, além de contribuírem para os estímulos gustativos, olfactivos e visuais.






«Os primeiros alimentos a incluir na nova dieta devem ser a papa de cereais, os legumes e algumas frutas», esclarece Paulo Oom. «Não há qualquer razão científi ca para que o início se dê pela papa láctea, pelo puré de legumes ou pela fruta. O que é importante é que a introdução seja gradual para que possa ser detectada qualquer reacção a um determinado alimento.» Embora se desconheça a causa do aparecimento de alergia alimentar, existem factores de risco que devem alertar para uma maior probabilidade de tal reacção acontecer. A alergologista Cristina Santa Marta enumera-os: «História familiar de alergia alimentar, história pessoal de alergia a outro alimento ou introdução precoce de alimentos potencialmente alergéneos». A especialista chama ainda a atenção para a alimentação com biberão com fórmulas lácteas nas primeiras horas de vida, promovendo depois o aleitamento materno. «Tal pode levar a manifestações de alergia a este alimento quando o mesmo é reintroduzido na alimentação do lactante, semanas ou meses mais tarde.»






As papas podem ser feitas de leite ou já terem o leite incorporado e apenas necessitarem da adição de água. «Não há razões para preferir umas ou outras», diz Paulo Oom. «Se o bebé já está a ser amamentado é mais prático escolher as farinhas lácteas às quais basta juntar água.» E atenção: «Antes dos seis meses é importante que sejam dadas ao bebé apenas papas sem glúten».






PURÉ OU SOPA?






Os legumes são introduzidos sob a forma de sopa ou puré. «Habitualmente começa-se pela batata e cenoura, sendo os outros legumes introduzidos depois em sequência», esclarece o pediatra. «A regra básica é a da introdução de um legume novo por cada quatro a seis dias.» Assim, depois de o bebé ter iniciado o puré de cenoura, pode iniciar outros legumes como o agrião, espinafre, alho francês, nabo, nabiça, alface,


abóbora, entre outros. «Não há razão para seguir alguma ordem especial.» Já as leguminosas (ervilhas, favas, feijões) e o tomate só devem ser dadas, de preferência, após a criança completar um ano, ou porque causam gases e flatulência, ou porque são ácidos. «À sopa deve ser adicionada apenas gordura vegetal (azeite) e nunca sal.»






Quanto à fruta dê preferência à maçã, pêra e banana por serem de mais fácil digestão. As duas primeiras devem ser inicialmente cozidas e depois esmagadas antes de serem oferecidas à criança. «A fruta não deve constituir, por si só, uma refeição e deve ser servida como sobremesa, após a papa láctea ou o puré de legumes», recorda o pediatra.






CARNE E PEIXE




Após terem sido introduzidos os primeiros três alimentos – papa láctea, legumes e fruta – segue-se a carne aos seis meses e o peixe aos nove meses. «Tanto um como outro devem ser magros, isto é, com pouca gordura. Com esta medida estaremos a contribuir para a protecção da criança


de doenças futuras como a obesidade, arterioesclerose e hipertensão», explica o pediatra. É por este motivo que é preferível a carne de frango,


borrego ou peru. Já a nível dos peixes, a pescada é uma excelente opção, mas pode optar por outros peixes ‘brancos’ como o linguado ou o sargo.






A carne ou o peixe devem ser inicialmente dados na sopa, passados juntamente com os legumes e sempre sem sal.






Por serem alimentos susceptíveis de causarem alergias, o leite de vaca, o ovo, o peixe, o trigo, os frutos secos e alguns frutos frescos como o kiwi devem ser introduzidos o mais tarde possível. «Se a sua introdução for mais tardia, o aparelho digestivo mais maduro terá maior capacidade de processamento dos mesmos, com absorção mais eficaz e correcta», elucida Cristina Santa Marta. Estes alimentos têm maior capacidade de levar o nosso organismo a produzir anticorpos ou a activar células capazes de reagir quando entramos em contacto com o respectivo alimento. Paulo Oom


lembra que mês a mês devem ser introduzidas outras frutas, sempre com o cuidado de retirar a pele, quaisquer caroços e esmagar de forma a obter um puré. «Algumas frutas, como a laranja, o ananás ou o morango, são muitas vezes responsáveis por reacções alérgicas e de intolerância, pelo que a sua introdução deve ser adiada para depois do primeiro ano.» O número de refeições em que não entra o leite deve ir aumentando


gradualmente. Ao mesmo tempo deve ser também aumentada a consistência dos alimentos, nomeadamente de homogénea (puré) para granulosa e finalmente com alguns pedaços.






Quanto ao leite, este deve persistir na alimentação da criança e «deve ser ingerido em quantidades superiores a meio litro por dia», observa Paulo


Oom. «Após os 18 meses (de preferência a partir dos três anos) pode começar a beber leite de vaca meio gordo, o mesmo que é ingerido pelos restantes membros da família.» Já a água pode ser dada às refeições.



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